Aula 11: Classicismo ou Renascimento
 

Vimos que o final da Idade Média se caracterizou por apresentar o início das grandes transformações que veríamos com clareza no Renascimento, nos séculos XVI e XVII.

As mudanças no plano econômico e político impulsionaram outras transformações no plano social e cultural. Assim, o Renascimento Comercial enfraqueceu o feudalismo e fortaleceu a burguesia. Como conseqüência, tivemos o surgimento de novas cidades que, aos poucos, se transformavam em lugares fervilhantes e muito bonitos, enfeitados por uma arquitetura sóbria e elegante. Os filhos dos burgueses ingressavam nas universidades e começavam a tomar contato com uma nova cultura desligada dos conceitos medievais, mais antropocêntrica, liberal e identificada com o mercantilismo. A Igreja perdia o monopólio sobre a cultura e, livres dos dogmas da fé, os filósofos observavam a Natureza, formulavam hipóteses e fundavam a Ciência Moderna. Copérnico afirmava que o Sol e não a Terra é que é o centro do Universo. Galileu confirmava a teoria de Copérnico e estabelecia os dois movimentos da Terra. A necessidade de baratear os custos das especiarias leva à invenção de instrumentos que tornaram as navegações mais seguras. Confiante na sua capacidade e valor, o homem se aventurava por “mares nunca dantes navegados”... E conquistava, e inventava e construía... Embora cristãos, queriam reinterpretar o Evangelho, iluminados pela Antiguidade Greco-Romana. A invenção da imprensa permitiu que um número cada vez maior de pessoas tivesse acesso a um número cada vez maior de livros.

Portugal, no século XVI, vivia seu período mais glorioso. O momento histórico vivido pela dinastia de Avis (a centralização do poder, as grandes navegações, o comércio) era propício à entrada dos novos ventos trazidos da Itália. Ao lado dos maravilhosos monumentos arquitetônicos de estilo manuelino, a literatura encontrou sua máxima expressão em Luiz Vaz de Camões. Também é no século XVI que a língua portuguesa assume contornos definitivos, iniciando o período do português moderno.

O Classicismo teve início em Portugal em 1527, com a volta de Sá de Miranda da Itália trazendo novos conceitos de arte e poesia, o “doce estilo novo”.

Novas formas poéticas passaram a ser utilizadas: o soneto (composição de 14 versos divididos em dois quartetos e dois tercetos), a ode (poesia de exaltação), a elegia (composição inspirada em sentimentos tristes), a écloga (composição amorosa, pastoril), a epístola (composição poética à maneira de uma carta). Os temas poéticos eram vários, atingindo a reflexão moral, a filosofia, a política, além do lirismo amoroso. Quanto à métrica, ao lado de uma herança medieval, representada pelas redondilhas, usava-se o verso decassílabo, típico do Renascimento. As redondilhas foram chamadas de “medida velha” e os versos decassílabos de “medida nova”.

A literatura passava a se caracterizar pela imitação dos mestres da Antiguidade Clássica greco-romana (Platão, Homero, Virgílio), pela retomada da mitologia pagã, pela perfeição estética e pela pureza das formas. Os homens do século XVI acreditavam que os gregos e os romanos eram detentores das ideias de Beleza. Os escritores clássicos do Renascimento seguiram, assim, de perto, a literatura da Antiguidade, cujos modelos foram imitados ou adaptados à realidade presente. Como conseqüência, suas obras revelariam, na estrutura formal, a rigidez das normas de composição de acordo com os padrões consagrados pela tradição greco-latina e mostrariam, no conteúdo, o paganismo, o ideal platônico de amor e outras marcas específicas.

O ano de 1580 marcou o fim do Renascimento em Portugal, com a morte do maior poeta da época: Luís de Camões. Também em 1580, Portugal passou ao domínio espanhol e viveu sua decadência econômica e política.

Sá de Miranda (1481-1558)

Francisco Sá de Miranda nasceu em Coimbra, em 1481. Após freqüentar a Universidade de Lisboa e a corte do rei D. João III, fez uma importante viagem à Itália renascentista, lá permanecendo de 1521 a 1526. Nessa estada por terras italianas, conviveu com alguns dos mais importantes artistas da época. Em 1527, já estabelecido novamente em Portugal, divulgou a nova concepção de arte, o “doce estilo novo”. Faleceu em 1558. De sua produção literária merecem destaque duas comédias – Estrangeiros e Vilhalpandos –, além de algumas poesias, entre elas uma famosa cantiga em que é um dos pioneiros ao apresentar o tema do homem dividido na literatura portuguesa:

“Comigo me desavim
Sou posto em todo perigo:
Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.”

Em toda a sua produção, observamos que o doutrinador superou o artista, dominado que estava pela preocupação e necessidade de disciplinar o vernáculo e adaptá-lo às exigências do novo estilo.
A Escolha de Hércules - Annibale Carraci


Atividades
 

1- O que acontecia na sociedade da época em que ocorreu o Classicismo?

2- Escreva, de forma reduzida e simplificada, as principais características do Classicismo.

3- Quando e como teve início o Classicismo em Portugal? Quando e como terminou?

4- Qual teria sido a importância de Sá de Miranda para a literatura portuguesa?

 


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